Desigualdade necessária
Posted: March 21st, 2006 | Author: Pedro A. | Filed under: Geral | Comments OffVivemos em um mundo naturalmente desigual, e especialmente em um dos países mais desiguais. Não existe milagre que possa mudar esse macro cenário no curto e médio prazo, mas ao mesmo tempo somos bombardeados com a idéia que podemos mudar nosso microcosmos. E é essa possibilidade de mudança, na esfera do indivíduo, uma característica fundamental do capitalismo.Os modelos de sociedades com classes estáticas, na qual a posição social do indivíduo era imutável e a sua permanência era independente de sua própria vontade, não favoreciam ao capitalismo moderno, pois não estimulava a acumulação, a usura e sim a acomodação. Para as pessoas que viviam sob esses modelos era mais difícil encarar o mundo como desigual, afinal todos estavam apenas cumprindo com seus destinos.A partir do momento que a acumulação deixa de ser um pecado, e que a mobilidade social passa a ser definida pelos bens que uma pessoa possui, a responsabilidade teórica pelo sucesso do indivíduo fica nas mãos dele mesmo. Caso se esforce bastante irá ter essa mudança de status. Irá evoluir socialmente, porém a realidade não é bem essa, por acreditar cegamente nesses conceitos as pessoas estão sujeitas a uma grande frustração caso não alcancem seus objetivos, que talvez inclusive não sejam realmente seus, sejam apenas objetivos impostos pela nossa sociedade.A alternativa ao modelo econômico vigente não conseguiu fugir desses conflitos de classe. Modelos sociais que pregavam a igualdade entre os pares não se mostraram maduros ou fortes o suficiente para sobreviver. Como pôde ser visto, no socialismo os camaradas do partido detinham o poder em detrimento da massa que vivia pasteurizada em condições precárias e sem direito ao luxo dos governantes.O elemento comum aos modelos econômico-sociais citados é a desigualdade de classes, e a maneira que cada um desses modelos a encara é essencial para a evolução de nossa sociedade. Atualmente, a desigualdade esta aí para nos servir de parâmetro de sucesso versus fracasso. Serve-nos de alerta. Somos obrigados a escolher sempre quais caminhos seguir e ela passa a ser a grande balizadora de nossas decisões.Entender a nossa sociedade, os nossos objetivos e a evolução dos valores é parte fundamental de um processo de auto-conhecimento que pode nos ajudar a viver uma vida melhor, sem uma constante culpa por não estar no topo de uma pirâmide imaginária ou ainda nos permitir traçar o nosso próprio caminho, trazer a rédea do destino em nossas mãos, para que possamos tomar decisões de maneira mais consciente, entendo a maioria de nossos “porquês” e motivações. Talvez só assim possamos ser o que queremos ser: lideres, seguidores ou nenhum dos dois.
